Chico Vigilante troca propostas por ataques e transforma episódio isolado em palanque político
Trabalhadores da Brasfort afirmam que participação em treinamento foi voluntária; parlamentares negam coação e dizem que encontro teve caráter institucional
Em meio à polêmica envolvendo um treinamento da Brasfort, Chico Vigilante direcionou críticas a Robério Negreiros e Rafael Prudente. Trabalhadores que participaram da atividade, porém, contestaram a versão apresentada pelo deputado e afirmaram que n O episódio envolvendo um treinamento destinado a vigilantes da Brasfort abriu uma nova frente de disputa política no Distrito Federal. De um lado, o deputado distrital Chico Vigilante (PT) acusa os deputados Robério Negreiros (Podemos) e Rafael Prudente (MDB) de terem utilizado uma atividade de capacitação para promover uma agenda política. De outro, trabalhadores que participaram do encontro contestaram a narrativa apresentada pelo parlamentar.
Diversos vigilantes comentaram a publicação de Chico Vigilante nas redes sociais e afirmaram que a participação ocorreu de forma voluntária, sem pressão ou constrangimento. Integrantes da empresa BRASFORT declarou que não existe pressão para participar dos treinamentos. Outros participantes também elogiaram a capacitação.
Chico Vigilante afirmou que os trabalhadores teriam sido convocados para um curso de aperfeiçoamento, mas que o encontro teria sido utilizado para promover politicamente os parlamentares.
Robério Negreiros negou qualquer irregularidade e afirmou que os treinamentos realizados por empresas terceirizadas fazem parte da rotina do setor. Segundo ele, sua participação e a de Rafael Prudente ocorreu como convidados e não houve qualquer tipo de coação aos trabalhadores.
É justamente nesse ponto que surge a principal crítica à postura de Chico Vigilante.
Na avaliação deste espaço, um parlamentar que tem histórico ligado à categoria dos vigilantes poderia aproveitar situações como essa para apresentar propostas concretas de valorização profissional, qualificação, melhoria das condições de trabalho e ampliação dos direitos dos trabalhadores.
Em vez disso, o episódio acabou se transformando em mais um capítulo de discurso político de Chico Vigilante, que ao invés de atacar para trazer engajamento apresentar propostas e projetos de melhorias.
A fiscalização do poder público é legítima e qualquer eventual irregularidade deve ser investigada pelos órgãos responsáveis. Mas acusação política não substitui investigação, assim como uma publicação em rede social não pode ser tratada como conclusão definitiva sobre os fatos.
Os próprios trabalhadores que participaram do treinamento apresentaram relatos diferentes da versão divulgada pelo deputado. Entre os comentários citados muitos participantes que disseram não ter sido obrigados a comparecer e consideraram a capacitação importante para o desenvolvimento profissional.
Robério também afirmou que sua atuação parlamentar tem como objetivo defender os trabalhadores terceirizados e que sua participação no encontro, ao lado de Rafael Prudente, ocorreu de maneira institucional.
A discussão, portanto, deveria ser maior do que a troca de acusações.
Os profissionais de segurança privada precisam de qualificação permanente, melhores condições de trabalho, respeito profissional e políticas públicas que contribuam para a valorização da categoria. Esse deveria ser o centro do debate.
Na avaliação deste espaço, Chico Vigilante perde uma oportunidade quando transforma uma controvérsia ainda sujeita a apuração em instrumento de confronto contra parlamentares e empresas. O mandato parlamentar oferece instrumentos muito mais importantes: projetos de lei, fiscalização, audiências públicas, articulação institucional e políticas capazes de produzir resultados concretos.
Se houve irregularidade, que seja comprovada e responsabilizada. Se não houve, que a acusação seja esclarecida.
O trabalhador não pode ficar no meio de uma guerra política.
O que a categoria espera de seus representantes é menos disputa e mais resultado: qualificação, emprego, renda, respeito e melhores condições de trabalho.




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