As festas da Gen Z estão mais parecidas com cultos do que com baladas?

Na Índia, eventos com cânticos devocionais lotam arenas e mostram como a Geração Z está reinventando a diversão — com menos álcool, mais espiritualidade e novas experiências coletivas.


As festas da Gen Z estão mais parecidas com cultos do que com baladas? Eventos com estética de festival e trilha devocional atraem multidões na Índia e refletem uma mudança global nos hábitos de lazer da Geração Z.

As festas da Gen Z estão mais parecidas com cultos do que com baladas?

Uma nova tendência vem chamando atenção na Índia e levantando uma pergunta curiosa: as festas da Geração Z estão se aproximando mais de rituais coletivos do que das baladas tradicionais?

Eventos com telões de LED, máquinas de fumaça e estrutura de festival têm reunido multidões de jovens, mas com uma diferença importante: em vez de hits eletrônicos e música para dançar até tarde, o som que domina o ambiente são os bhajans, cânticos hindus devocionais tradicionalmente entoados em templos e procissões.

A novidade não está nas canções em si, mas no formato. O que antes era gratuito e ligado à prática religiosa agora aparece em arenas lotadas e eventos pagos, transformando uma tradição espiritual em produto de entretenimento.

O movimento encontrou público rapidamente. O mercado espiritual e religioso indiano, que inclui esse tipo de evento, foi avaliado em cerca de US$ 58 bilhões no ano passado e deve crescer ainda mais na próxima década.

A tendência também conversa com um comportamento mais amplo entre jovens da Geração Z, especialmente em países ocidentais. Na Europa e nos Estados Unidos, ganham espaço as chamadas coffee parties, festas geralmente realizadas pela manhã, em que o álcool e a madrugada dão lugar à música eletrônica e a bebidas à base de café.

O fenômeno acompanha uma mudança de hábitos dessa geração, considerada uma das mais saudáveis dos últimos tempos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a parcela de adultos que consome álcool caiu para 54%, o menor nível em 90 anos.

Na Índia, os organizadores afirmam que o público é majoritariamente jovem, formado em grande parte por universitários e profissionais em início de carreira. O país tem idade média de 29 anos, uma das mais baixas do mundo, o que ajuda a explicar a rápida adesão ao formato.

A onda já se espalha por outras cidades indianas e começa a ganhar versões na Austrália, nos Estados Unidos e no Reino Unido, indicando que a busca por experiências coletivas menos alcoólicas  e, em alguns casos, mais espirituais pode estar redesenhando o jeito da Geração Z de sair de casa.




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