Segurança integrada transforma combate à criminalidade no Distrito Federal
Ex-secretário de Segurança destaca criação do programa Ação pela Vida, integração entre as forças policiais e participação de instituições e comunidades nas estratégias de prevenção à violência
Estratégia de segurança integrada ampliou a cooperação entre Polícia Militar, Polícia Civil, Judiciário, Ministério Público, OAB e comunidades no enfrentamento à criminalidade. O fortalecimento da integração entre as instituições de segurança pública foi apontado como um dos principais caminhos para melhorar os indicadores de criminalidade no Distrito Federal. A avaliação foi apresentada durante relato sobre a implantação do programa Ação pela Vida, iniciativa que buscou mudar a forma de planejamento e acompanhamento das políticas de segurança na capital.
Segundo o relato, o cenário encontrado no início da década de 2010 exigia uma mudança na estratégia de enfrentamento à violência. Naquele período, o Distrito Federal apresentava índices elevados de homicídios e figurava entre as unidades federativas com indicadores preocupantes.
A partir desse diagnóstico, o programa Ação pela Vida passou a adotar uma metodologia baseada no acompanhamento permanente dos números da criminalidade e na identificação das chamadas manchas criminais, permitindo direcionar as ações de segurança para as regiões com maior incidência de delitos.
Quatro áreas integradas
Uma das mudanças implementadas foi a divisão do Distrito Federal em quatro Áreas Integradas de Segurança Pública, seguindo uma estrutura semelhante à organização regional da Polícia Militar.
A proposta permitiu aproximar o planejamento das forças de segurança da realidade de cada região administrativa. Com o monitoramento dos indicadores, era possível verificar onde os crimes estavam aumentando ou diminuindo e ajustar as estratégias de atuação.
Outro ponto considerado fundamental foi a aproximação entre Polícia Civil e Polícia Militar, instituições que historicamente enfrentavam dificuldades de relacionamento.
A integração passou a ser tratada como uma política de Estado, com a construção de mecanismos de diálogo, respeito profissional e atuação conjunta.
Segurança como responsabilidade de todos
A experiência também evoluiu para um conceito mais amplo de segurança integral, baseado no princípio constitucional de que a segurança pública é dever do Estado e responsabilidade de todos.
Nesse modelo, a participação da sociedade ganhou espaço por meio dos Conselhos Comunitários de Segurança, enquanto outras instituições passaram a integrar as discussões e decisões relacionadas às políticas públicas.
Judiciário, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil e representantes da comunidade passaram a ser considerados parceiros na construção das estratégias de prevenção e enfrentamento à violência.
Combate à violência contra a mulher
Um dos exemplos citados foi o enfrentamento à violência contra a mulher e aos feminicídios. Diante do crescimento dos casos registrados no país, a avaliação foi de que nenhuma instituição conseguiria enfrentar o problema isoladamente.
A proposta passou a reunir diferentes órgãos em torno de ações preventivas, acompanhamento dos casos e identificação de fatores de risco.
A experiência demonstra que o combate à criminalidade vai além do policiamento ostensivo: exige informação, planejamento, integração institucional, participação comunitária e políticas de prevenção.
A evolução desse modelo, segundo a avaliação apresentada, contribuiu para consolidar uma nova cultura de cooperação entre as instituições e abriu caminho para avanços posteriores na política de segurança pública do Distrito Federal.




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