Taiwan pede apoio do Brasil para ampliar participação na ONU
Representante de Taiwan no Brasil, Benito Liao, defende participação da ilha no sistema das Nações Unidas e destaca seu papel estratégico na tecnologia, no comércio e na estabilidade do Indo-Pacífico
Benito Liao, representante de Taiwan no Brasil, defende maior participação de Taiwan nas Nações Unidas e destaca a importância da estabilidade no Estreito de Taiwan. Com a abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, Taiwan voltou a defender publicamente sua participação no sistema multilateral. O representante de Taiwan no Brasil, Benito Liao, fez um apelo aos brasileiros para que acompanhem o debate e apoiem uma maior inserção da ilha nas atividades da ONU.
O tema da atual sessão da Assembleia Geral é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. O debate geral ocorrerá entre 22 e 28 de setembro.
Segundo Liao, existe uma contradição entre o discurso de inclusão defendido pela ONU e a ausência de Taiwan de grande parte do sistema da organização. O representante afirma que os cerca de 23,5 milhões de habitantes da ilha permanecem sem participação direta nas Nações Unidas e em suas agências especializadas.
Tecnologia e semicondutores
No texto, Liao destaca a importância econômica de Taiwan para o mundo, especialmente na fabricação de semicondutores e no desenvolvimento de tecnologias relacionadas à inteligência artificial.
Para o representante, a posição estratégica de Taiwan também está relacionada à segurança das cadeias globais de suprimentos e ao comércio internacional. Ele chama atenção ainda para a importância do Estreito de Taiwan para a navegação e para a estabilidade econômica mundial.
“Embora o Brasil esteja geograficamente distante de Taiwan, ambos compartilham o apreço pela paz e pela estabilidade”, afirma Liao, ao defender que os brasileiros acompanhem com atenção a situação no Estreito de Taiwan.
Debate sobre a Resolução 2758
Outro ponto central do apelo é a interpretação da Resolução 2758 da Assembleia Geral da ONU, aprovada em 1971. Liao sustenta que o documento tratou da representação da China nas Nações Unidas e, segundo a posição do governo de Taiwan, não afirma que Taiwan faça parte da República Popular da China nem autoriza Pequim a representar Taiwan no sistema da ONU.
Essa interpretação, porém, é objeto de disputa diplomática. O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan também defende atualmente essa leitura da resolução e afirma que o texto não menciona Taiwan.
A China apresenta interpretação diferente sobre a resolução e considera Taiwan parte de seu território, posição que está no centro da disputa diplomática envolvendo a ilha.
Apelo por participação internacional
No artigo, Benito Liao defende que Taiwan tenha condições de participar de organismos e mecanismos internacionais, especialmente em áreas nas quais, segundo ele, pode contribuir com conhecimento e experiência.
O representante cita temas como democracia, desenvolvimento sustentável, inovação tecnológica, inteligência artificial, saúde, comércio e cooperação internacional.
Para Liao, a participação de Taiwan permitiria ampliar a contribuição da ilha para iniciativas globais e para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.
O apelo ocorre justamente no início de uma nova sessão da Assembleia Geral, cujo programa inclui entre suas prioridades a inclusão, a governança global e a inovação tecnológica.
Ao final, o representante de Taiwan no Brasil pede que a comunidade internacional discuta formas de ampliar a participação da ilha nas Nações Unidas.
“Ninguém deve ser excluído”, afirma Liao, ao defender que Taiwan possa contribuir de maneira mais ampla para os debates internacionais sobre paz, desenvolvimento, tecnologia e cooperação.




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