Lucas e Rafael levam a voz dos jovens de altas habilidades de Brasília a Harvard e ao MIT
Aos 12 anos, estudantes defendem acesso a universidades, laboratórios e orientação especializada para desenvolver pesquisas sem que a idade seja um limite
Os estudantes Lucas Freitas Vieira e Rafael Kessler Ferreira, ambos de 12 anos, destacaram a importância do acesso a universidades, laboratórios e orientação especializada para jovens com altas habilidades. O secretário de Educação, Tiago Peixoto, “Idade não é limite para quem quer estudar”.

O estudante brasiliense Lucas Freitas Vieira, de 12 anos, fez um forte apelo durante a solenidade que celebrou sua trajetória científica e a de seu colega Rafael Kessler Ferreira. Com altas habilidades e perfil autodidata, Lucas defendeu que jovens com potencial diferenciado tenham oportunidades concretas para avançar nos estudos de acordo com seus conhecimentos e interesses.
Em sua fala, Lucas agradeceu à governadora, à organização do projeto, à Cotidiano e aos parceiros responsáveis pelo apoio à viagem internacional. Em seguida, aproveitou o espaço para apresentar uma reivindicação que, segundo ele, é compartilhada por sua família e pelo Instituto Raízes: a necessidade de ampliar o acesso de estudantes com altas habilidades a universidades, laboratórios, materiais e especialistas.
“Tudo que nós pedimos é para deixar a gente estudar, pesquisar e nos desenvolver sem limite de idade. Idade não é limite para quem quer estudar.”
Jovem quer transformar conhecimento em ciência aplicada
Lucas explicou que, apesar de ser autodidata, poderia avançar ainda mais caso tivesse contato com pesquisadores e estruturas universitárias adequadas.
O estudante citou áreas de interesse como malware e criptografia quântica e afirmou que a escola tradicional nem sempre dispõe de professores ou laboratórios preparados para acompanhar pesquisas tão específicas.
Para ele, o objetivo não é simplesmente acumular conhecimento, mas produzir ciência que tenha aplicação prática e possa contribuir para a sociedade.
Lucas também defendeu que a legislação que permite aceleração e compactação curricular seja efetivamente utilizada para atender estudantes que já dominam determinados conteúdos.
Equidade para respeitar diferentes ritmos
Outro ponto destacado pelo estudante foi a necessidade de garantir equidade na educação. Segundo Lucas, estudantes com altas habilidades precisam ter respeitado o próprio ritmo de aprendizagem e receber oportunidades compatíveis com seu potencial.
A reivindicação coloca em evidência um desafio para o sistema educacional: como oferecer uma educação que não apenas acompanhe quem apresenta dificuldades, mas também estimule aqueles que conseguem avançar muito além do conteúdo convencional.
A proposta defendida pelo jovem é que esses estudantes possam frequentar ambientes universitários e ter contato com especialistas ainda durante a educação básica.
Educação quer transformar exemplos em política pública
O secretário de Educação, Tiago Peixoto, também participou da solenidade e destacou a importância de transformar as histórias de Lucas e Rafael em uma política pública capaz de alcançar outros estudantes.
Segundo o secretário, o encontro surgiu depois de uma conversa com Maria Célia, que apresentou o projeto e despertou seu interesse pelo potencial dos dois jovens.
Tiago afirmou que o desafio é fazer com que casos como os de Lucas e Rafael deixem de ser exceções e possam ser multiplicados em todo o Distrito Federal e, futuramente, em outras regiões do país.
A ideia é conectar experiências individuais a uma política educacional de maior alcance, criando mecanismos para identificar, estimular e acompanhar estudantes com altas habilidades.
Um presente com significado
Durante sua participação, Tiago Peixoto ainda preparou uma surpresa para os dois estudantes. Como teve a oportunidade de estudar nos Estados Unidos, recuperou dois bonés que utilizava durante o período em que esteve naquele país.
Os presentes foram entregues a Lucas e Rafael como símbolo da nova etapa que os estudantes estão prestes a iniciar.
A viagem aos Estados Unidos permitirá que os dois jovens apresentem suas pesquisas em ambientes acadêmicos de referência mundial, ampliando o contato com pesquisadores, universidades e novas possibilidades para suas trajetórias.
Brasília aposta na nova geração de cientistas
A história de Lucas e Rafael também chama atenção para a importância de identificar talentos científicos ainda na infância. Para além da viagem internacional, os estudantes colocam em debate a necessidade de criar condições permanentes para que jovens com altas habilidades possam pesquisar, experimentar e produzir conhecimento.
O recado deixado por Lucas é direto: o talento não deve esperar a idade adulta para ser desenvolvido.
A presença dos dois estudantes em Harvard e no MIT representa, portanto, mais do que uma conquista individual. É também uma oportunidade para Brasília discutir como o poder público, escolas, universidades, famílias e instituições podem construir uma rede capaz de transformar jovens autodidatas em futuros pesquisadores, cientistas e inovadores.




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