Adolescente descobre câncer de tireoide aos 15 anos após notar caroços no pescoço

Anna Laura Rocha descobriu o tumor aos 15 anos, após sentir dor e notar caroços no pescoço. O diagnóstico apontou metástases pulmonares, e o tratamento incluiu cirurgia e iodoterapia.


Adolescente descobre câncer de tireoide aos 15 anos após notar caroços no pescoço Anna Laura Rocha tinha 15 anos quando descobriu um câncer de tireoide com metástases no pescoço e nos pulmões. Após cirurgia e três ciclos de iodoterapia, a jovem segue em acompanhamento médico e cursa medicina.

Anna Laura Rocha recebeu o diagnóstico com metástases no pescoço e nos pulmões. Hoje, aos 20 anos, estudante de medicina segue em acompanhamento médico

Uma dor no pescoço e o surgimento de caroços na região foram os primeiros sinais de que algo não estava bem com Anna Laura Rocha. Aos 15 anos, a adolescente, moradora de Icó, no Ceará, descobriu que tinha câncer de tireoide, com comprometimento de estruturas do pescoço e metástases nos pulmões.

“Não imaginava que seria um câncer, muito menos que a doença teria esse desdobramento e exigiria todo o tratamento pelo qual passei”, relata Anna Laura, hoje com 20 anos e estudante de medicina.

A investigação começou após a jovem perceber alterações no lado direito do pescoço. A realização de uma ultrassonografia cervical levou à indicação de uma punção, exame utilizado para coletar material e analisar as características do nódulo.

Segundo Anna Laura, foram cerca de 20 dias até a conclusão do diagnóstico. Os exames identificaram um tumor com componentes papilífero e folicular. Posteriormente, avaliações realizadas antes da cirurgia também apontaram metástases pulmonares.

Apesar do comprometimento dos pulmões, ela não apresentava falta de ar, cansaço ou outros sintomas respiratórios, o que evidencia que a doença pode evoluir sem manifestações evidentes em determinadas situações.

Por que o câncer de tireoide é diagnosticado em jovens?

O câncer de tireoide está entre os tumores frequentemente diagnosticados em mulheres jovens. Segundo Rafael De Cicco, cirurgião de cabeça e pescoço e diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, o aumento dos registros está relacionado, em grande parte, à ampliação do acesso aos serviços de saúde e aos avanços dos exames de imagem.

Com ultrassonografias mais acessíveis e tecnologias capazes de identificar alterações pequenas, mais nódulos são descobertos e investigados. Isso contribui para o crescimento do número de diagnósticos registrados.

O especialista também aponta que pode haver um aumento real da ocorrência da doença, possivelmente associado a fatores como obesidade e exposições ambientais ainda não totalmente esclarecidas.

A diferença na frequência do câncer de tireoide entre homens e mulheres também chama a atenção. De acordo com o médico, essa disparidade surge a partir da puberdade e diminui após a menopausa, o que levanta hipóteses sobre a influência hormonal, embora o papel específico do estrogênio ainda não esteja completamente estabelecido.

Entre os fatores de risco conhecidos estão a exposição à radiação na região do pescoço durante a infância, o histórico familiar e determinadas síndromes hereditárias. Anna Laura conta que não tinha casos de câncer na família nem histórico de acompanhamento por alterações na tireoide.

Quais sintomas podem indicar câncer de tireoide?

O aparecimento de um nódulo na região anterior do pescoço é uma das alterações que merecem avaliação médica. Caroços na lateral do pescoço, especialmente quando persistem por várias semanas ou aumentam de tamanho, também precisam ser investigados.

Outros sinais que podem exigir atenção incluem:

  • Nódulo na parte da frente do pescoço: pode ser percebido durante o banho ou ao observar a região.
  • Caroço persistente na lateral do pescoço: pode estar relacionado ao aumento de linfonodos e precisa de avaliação quando não desaparece.
  • Crescimento progressivo de uma massa: a mudança de tamanho reforça a necessidade de investigação.
  • Rouquidão persistente: especialmente quando não há uma causa evidente.
  • Dificuldade para engolir: pode ocorrer quando estruturas próximas são afetadas.

A avaliação costuma incluir consulta médica, exames laboratoriais para verificar a função da tireoide e ultrassonografia. Dependendo das características do nódulo, o profissional pode indicar uma punção aspirativa por agulha fina.

O cirurgião ressalta, porém, que a maioria dos nódulos da tireoide é benigna. Por isso, a identificação de uma alteração não significa necessariamente a presença de câncer.

Também não é recomendada a realização indiscriminada de ultrassonografias para rastreamento em jovens sem sintomas ou fatores de risco. Exames sem indicação podem levar à investigação de alterações que não exigiriam intervenção e a procedimentos desnecessários.

Cirurgias e iodoterapia fizeram parte do tratamento

Após o diagnóstico, Anna Laura passou por uma tireoidectomia total, cirurgia para retirada da tireoide, e por um procedimento para remover estruturas comprometidas no lado direito do pescoço. O tratamento também incluiu três ciclos de iodoterapia, abordagem que utiliza iodo radioativo em situações específicas do câncer de tireoide.

O processo exigiu viagens a Salvador, períodos de isolamento e restrições alimentares antes das aplicações. A rotina de tratamento também trouxe desafios emocionais e sociais, especialmente durante a adolescência.

“Enquanto meus colegas saíam e se divertiam, eu precisava permanecer recolhida para tratamentos e dietas rigorosas”, lembra.

Durante os ajustes da reposição hormonal, a jovem relata ter enfrentado fraqueza, queda de cabelo, ressecamento da pele e episódios de taquicardia. O afastamento das aulas e do convívio com amigos também teve impacto em sua rotina.

Aos 20 anos, jovem retoma os estudos e mantém acompanhamento

Atualmente, Anna Laura cursa o terceiro semestre de medicina e utiliza diariamente levotiroxina, medicamento empregado na reposição do hormônio tireoidiano após a retirada da glândula.

Ela também mantém acompanhamento médico e psicoterapêutico. Segundo o relato da estudante, o quadro oncológico está controlado e estável, com consultas e exames periódicos.

Com o passar do tempo, a jovem percebeu uma melhora na adaptação à reposição hormonal e na qualidade de vida.

“Sinto que meu organismo já se adaptou melhor à reposição hormonal do que nos anos iniciais, então minha qualidade de vida é boa, o que me permite seguir com os estudos, por exemplo”, afirma.

A experiência de Anna Laura reforça a importância de procurar avaliação médica diante de alterações persistentes no pescoço, sem presumir que todo nódulo seja maligno. O diagnóstico e a escolha do tratamento dependem da investigação individual de cada paciente.




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