Europa e Ásia disputam jovens trabalhadores diante do envelhecimento populacional
Alemanha, Japão e Portugal reformulam vistos para atrair mão de obra estrangeira qualificada, enquanto cresce o interesse de brasileiros por oportunidades no exterior
Por Edivaldo Dias
11/06/2026 | Atualizado em 11/06/2026 - 17h18
Países como Alemanha, Japão e Portugal criam mecanismos para atrair trabalhadores estrangeiros diante da escassez de mão de obra e do envelhecimento populacional. Escassez de jovens leva países desenvolvidos a abrir portas para trabalhadores estrangeiros.
Desde a pandemia da Covid-19, países desenvolvidos passaram a encarar com ainda mais urgência um desafio que já vinha sendo desenhado há décadas: a redução da população economicamente ativa diante do rápido envelhecimento demográfico. Em resposta, governos europeus e asiáticos reformularam políticas migratórias e passaram a disputar profissionais jovens e qualificados de outras partes do mundo.
Entre os exemplos mais emblemáticos estão Alemanha, Japão e Portugal, que enfrentam quedas populacionais e dificuldades crescentes para manter seus mercados de trabalho abastecidos.
Na Alemanha, a preocupação é imediata. O país europeu deve perder cerca de 40 mil trabalhadores apenas em 2026, segundo projeções demográficas recentes. Para amenizar os impactos, o governo alemão lançou a Chancenkarte, conhecida como “cartão de oportunidades”, permitindo que estrangeiros ingressem no país por até um ano para buscar emprego, mesmo sem contrato prévio.
O modelo funciona por pontuação e exige requisitos como diploma profissional, experiência na área, domínio de idioma e comprovação financeira mínima de aproximadamente 12 mil euros em conta bancária. Apesar da expectativa do governo de conceder cerca de 30 mil vistos anuais, até junho de 2025 apenas 11 mil autorizações haviam sido emitidas.
Já no Japão, país com uma das populações mais envelhecidas do planeta, a situação também é considerada crítica. Em 2024, o país registrou o menor número de nascimentos em 75 anos, reforçando o alerta sobre o futuro da economia japonesa.
Como estratégia, o governo criou um visto voltado a trabalhadores remotos, apelidado informalmente de “visto para nômades ricos”. A autorização permite permanência de até seis meses, mas exige renda anual mínima equivalente a cerca de R$ 31 mil, o que restringe o acesso a profissionais com maior capacidade financeira.
Portugal, tradicional destino de brasileiros, também ampliou mecanismos de atração de estrangeiros por meio do visto D8, especialmente voltado para trabalhadores remotos e profissionais independentes. O país registrou forte adesão de brasileiros nos últimos anos, mas o crescimento migratório também trouxe desafios internos.
Entre eles está a crise habitacional, agravada pelo aumento expressivo do preço dos imóveis. Apenas no quarto trimestre de 2025, o valor das propriedades registrou alta de 18,9%, pressionando o custo de vida e dificultando o acesso à moradia em cidades portuguesas.
O fenômeno, no entanto, vai além dos três países. Nações como Estônia e Reino Unido, além de outros destinos europeus, criaram programas semelhantes para atrair talentos internacionais. O perfil buscado é praticamente o mesmo: jovens profissionais, qualificados e com potencial de contribuir economicamente para os sistemas produtivos e previdenciários locais.
Enquanto isso, no Brasil, o desejo de emigrar cresce em ritmo acelerado. A Europa continua sendo o destino preferido dos brasileiros, com Portugal ocupando posição de destaque pela proximidade cultural e linguística. Apesar do interesse elevado, especialistas alertam que os critérios exigidos por esses programas tornam o acesso mais restrito, favorecendo candidatos com formação, experiência profissional e estabilidade financeira.
A disputa global por talentos indica uma mudança no cenário migratório internacional: países antes mais fechados começam a flexibilizar regras, mas sem abrir mão de exigências rigorosas para selecionar quem poderá integrar suas economias no futuro.



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